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Degustação às cegas: descobrindo os vinhos através dos sentidos

Publicado em: 24 Junho, 2013 por Mateus V.

Degustar às cegas. Provar sem o consentimento da visão. Uma degustação desprovida de influências externas. Assim ocorrem os concursos de vinhos, que garantem a isenção total do júri para que haja uma maior credibilidade nos resultados. Algumas confrarias que levam a rigor sua atividade também adotam esse sistema. E você? já fez essa brincadeira de tentar adivinhar rótulos, marcas e safras?

O nosso consumo é guiado pelos valores que atribuímos a uma determinada marca de um produto. Estes valores são construídos em nossa mente de acordo com o que julgamos bom pra si. Por isso, muitas vezes adquirimos produtos apenas pela marca ou preço e não pelo principal, que é a  qualidade ou a relação custo/benefício. A degustação de vinhos às cegas é muito usada nos cursos de enologia e de sommelier com o intuito de formar profissionais isentos, isto é, capazes de julgar um vinho exclusivamente pela qualidade e não pelos demais atributos que o envolvem. É necessário que os profissionais do vinho avaliem a bebida com um olhar mais crítico e objetivo, ao contrário do consumidor final, que avalia o vinho de maneira mais subjetiva. Esta isenção é importante para que eles tenham plena consciência de que vinhos estão a produzir ou a oferecer perante seus concorrentes, em que nível de qualidade se encontram e a que preço podem vender, ou seja, quanto o consumidor pagaria por tal qualidade.

Como fazer a degustação às cegas?

Algumas confrarias que levam o assunto vinho a sério também dão preferência à degustação às cegas. A expectativa que ela cria em torno da tentativa de descobrir qual rótulo está na taça é o que move estes aficionados, e a brincadeira pode ser feita numa roda de amigos por puro divertimento. A única pessoa que deve saber qual rótulo está sendo servido é a que serve, preferencialmente uma pessoa de fora. As garrafas devem ir à mesa envolvidas por um invólucro que esconda qualquer forma de identificação, até mesmo o formato da garrafa. Alguns são típicos de uma só região, como a garrafa Alsaciana, estreita e bem alongada, o que com certeza entregaria facilmente o rótulo. O uso de taças escuras também é um ótimo aliado à isenção de nossos pré-conceitos.

Cada vinho degustado deve ser comentado depois que todos os participantes tenham terminado de avaliar em pleno silêncio. Normalmente, delimita-se um tempo para cada vinho e uma quantidade máxima de 10 rótulos para que a degustação não se torne muito prolongada e cansativa. Se quiser um pouco mais de autenticidade, vale usar como referência a metodologia e as fichas de degustação usadas concursos internacionais que podem ser facilmente encontradas na internet. Cada participante deve atribuir uma nota de 50 a 100 pontos para cada vinho.

Findada a prova, é hora de computar os pontos e aguardar com expectativa o “vencedor” da noite. Uma degustação às cegas não deve ser a regra. Afinal, vinho é alegria, prazer e descontração, mas fazê-la eventualmente nos ajuda a eliminar nossos preconceitos e também mudar nossos comportamentos diante da bebida. Pode ocorrer algum constrangimento por um comentário negativo sobre determinado rótulo, principalmente se for de produtor renomado e caro, o que não é raro acontecer. Porém, é justamente este o objetivo: tirar a máscara do vinho. Uma degustação às cegas é, sobretudo, um exercício de humildade. Santé!

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