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Garçom, tem carvalho na minha taça!

Publicado em: 21 Fevereiro, 2013 por Tatiane M.

Dentre as inúmeras características do vinho que encontramos descritas quando vamos comprar uma garrafa, seja na loja ou na internet, a passagem ou não do rótulo por barrica de carvalho é uma das que mais se destacam. Embora existam mais de 200 espécies de carvalho no mundo, apenas cerca de 20 são utilizadas na produção de barricas. As de carvalho francês e americano são as duas mais populares entre os enólogos. Dependendo do tipo de barrica utilizado, o vinho pode obter um resultado bem diferente, e muitos fatores podem contribuir para as características da bebida, como o nível de tosta ou até se a barrica é usada ou nova.

Primeiramente, o que devemos saber é que a barrica é responsável pelo amadurecimento do vinho, e quanto mais tempo ele passa lá dentro, mais ele absorve as características passadas pelo carvalho, que, assim como o vinho, também possui taninos. Os taninos do carvalho são mais sensíveis à oxidação, o que faz com o que o oxigênio se ligue primeiro a eles e permite que o vinho tenha sua integridade preservada.  Envelhecimento mesmo, só depois de engarrafado.  Quem decide tudo isso é o enólogo, que assinará a qualidade final do rótulo.

O carvalho é a melhor madeira para se amadurecer o vinho por ser a única que tem características que combinam com a bebida, enquanto as outras madeiras apresentam substâncias que a contaminam. O carvalho acaba funcionando como uma esponja que permite que haja absorção do vinho pela madeira e que tenha contato na medida certa com o vinho, o que favorece em seu desenvolvimento .

tosta

A diferença entre o carvalho francês e o americano começa já no corte da madeira da árvore e em suas cores. O primeiro apresenta um tom marrom mais escuro, quanto o americano tem a cor mais clara.

O carvalho francês deve ser cortado de forma que acompanhe os veios da madeira, o que faz com que se tenha perda de grande parte da árvore. O aproveitamento é, em média, de 15%, o que torna seu custo mais elevado. Porém, este tipo de corte agrega mais aromas e sabores que recordam tostado, tabaco e, às vezes, até toques de baunilha. Se o carvalho francês for serrado, poucas de suas substâncias serão liberadas e não haverá muita influência no vinho. Na maioria das vezes é usado para vinhos de médio corpo a mais encorpados.

Já o carvalho americano é de cor branca, pode ser serrado direto, é menos poroso e o aproveitamento da árvore é de aproximadamente 50%. Normalmente a tosta é mais alta para que possa dar mais complexidade aos aromas e sabor do vinho. Ele libera substâncias que, integradas ao vinho, o deixa com sabor mais forte que nos remete a baunilha, café e coco queimado. O carvalho americano é mais utilizado na produção de vinhos robustos, rústicos e elaborados com uvas cultivadas em regiões mais quentes.

Além do francês e do americano, alguns países utilizam também o carvalho húngaro e o esloveno. O húngaro é parecido com o francês, mas não tão encorpado. Passa características picantes ao vinho, com notas de canela e amêndoas, e deixa os taninos macios e redondos. O esloveno é usado para vinhos finos e transfere à bebida características semelhantes as do carvalho americano e confere notas parecidas com vinhos franceses medianos. Muitos produtores têm usado o carvalho esloveno mesclado com outros tipos em suas barricas a fim de reduzir custos e obter resultados superiores aos do americano.

Depois de definido pelo enólogo em qual tipo de barrica o vinho irá amadurecer, é hora de pensar o nível de tosta, que também interfere no resultado final. O nível de tosta vai conferir toques leve, médio ou forte de café, tostado, baunilha, amêndoas entre outros.

O enólogo pode mesclar o estágio do vinho em diferentes tipos de barricas. Uma parte pode ser em carvalho de primeiro uso e a outra em carvalho de segundo uso ou com níveis de tosta diferentes e tempos variados. A barrica pode ser até de terceiro uso, mas depois deve ir para outros fins. Depois do terceiro uso, a barrica é utilizada para vinhos de linhas mais simples e baratas.

No final de todo o processo, o enólogo ainda pode escolher deixar o vinho envelhecer em garrafa por mais algum tempo ou colocar direito no mercado.

Agora que você aprendeu um pouco mais sobre as barricas e o processo de envelhecimento, que tal tentar identificar as diferentes características nas próximas degustações? Procure saber se o vinho passou por amadurecimento em barrica de carvalho e beba com mais atenção. Certamente você irá perceber notas que foram conferidas pela madeira que tornaram o vinho mais complexo e mais saboroso.

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