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O que é vinho sustentável?

Publicado em: 10 Abril, 2013 por Mateus V.

O mercado de alimentos exige produtos cada vez mais seguros e ao mesmo tempo ambientalmente responsáveis. Tal exigência também se estende aos vinhos. A terminologia sustentável foi o que o mercado adotou para os vinhos produzidos sob a ótica da responsabilidade social, ambiental e econômica. 

 Como não há uma doutrina específica para um vinho ser considerado sustentável, atribui-se então esta distinção aos vinhos que são produzidos com o intuito de preservar o vinhedo e o meio ambiente para as gerações futuras.  No vinhedo, a preocupação inclui a saúde do produtor, preservação da biodiversidade, erosão e compactação do solo e assim por diante. No processamento da uva, utiliza-se o mínimo possível de aditivos e conservantes.

 O conceito se estende até o vinho chegar ao consumidor, utilizando-se embalagens de baixo carbono, recicláveis e transporte menos poluente. Quando se ouve falar em sustentável, logo nos vêm à mente os vinhos oriundos da agricultura orgânica e os vinhos biodinâmicos. Além dos aspectos ambientais, vinhos com enfoque no âmbito social também são considerados sustentáveis, como é o caso dos produtos com selo fairtrade (Comércio justo).

linha de vinhos com o selo Fairtrade das Olimíadas de Londres

 A organização fairtrade prevê um comércio justo e igualitário. Funciona como um elo mais próximo entre o produtor e o consumidor. É um comércio que visa melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores menos favorecidos. Dois dos vinhos oficiais dos Jogos Olímpicos de Londres eram certificados com o selo Fairtrade. Dentre os produtos de comércio justo, o vinho é um dos que mais crescem no mercado, obtendo um incremento de 12% na comercialização entre 2011 e 2012. No Chile, Argentina e na África do Sul, já existem produtores unidos que produzem suas uvas e recebem um preço mínimo garantido. No Brasil ainda não há vinhos fairtrade, no entando, poderá ser uma alternativa para manter pequenos produtores de uva no campo.

A oferta de vinhos sustentáveis vem crescendo no Brasil, mas com certo atraso. Na Europa, o movimento pelos orgânicos e pela sustentabilidade em geral, está mais avançado e estes produtos são expostos em gôndolas exclusivas nas lojas e supermercados.

A produção destes vinhos em larga escala não é fácil, pois o vinhedo necessita de cuidado redobrado. Assim, o custo de produção pode se tornar mais elevado pelo maior uso de mão-de-obra. O Chile implantou um programa de normas de sustentabilidade para a vitivinicultura que abarca toda a cadeia, desde redução de defensivos agrícolas, uso de energia verde, até adoção de embalagens mais leves. O Brasil possui um modelo vitivinícola muito sustentável no âmbito social devido ao predomínio de pequenas propriedades, as quais, no geral, possuem boa qualidade de vida. Entretanto, o êxodo rural é o que preocupa a cadeia.

 No aspecto ambiental, a produção de vinhos sustentáveis ganha espaço, mas a passos lentos, sobretudo por causa do clima úmido nas regiões tradicionais e pouco incentivo a este modelo de produção, pois recebem a mesma tributação que os produtos convencionais. Já podemos encontrar diversos sucos de uva e vinhos de mesa orgânicos, mas vinhos finos ainda são poucos. Uma aposta seria utilizar uvas híbridas, muitas delas com excelente potencial enológico, mas que perante a lei não são consideradas “uvas finas”.

 Alguns vinhos produzidos neste conceito são mais vulneráveis ao tempo, por levarem menos ou zero conservantes. Com frequência apresentam aromas esquisitos, como de estábulo e suor de cavalo, porque são facilmente atacados por contaminação microbiológica. Estas características são apreciadas por alguns sob a justificativa de que vinho é vida, e estes aromas formam a complexidade do vinho.

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Comentários na WineTag

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MARCELO B. disse há 2601 dias às 13:43h:

Mateus, parabéns pelo seu texto e por abordar a temática. Como conceito de "sustentabilidade" você associa a questão orgânica e fair trade, totalmente interligados. No entanto, sinto falta da questão industrial, ou seja, abordar a questão agrícola é um importante ponto, mas é preciso entender também os impactos ou a tentativa de reduzí-los na industria. Um bom exemplo disso é o peso da garrafa, que vem sendo muito trabalhado, é legislação em alguns países (Canadá) e barreiras não tarifárias para exportação para alguns países da Europa e para os EUA. O peso da garrafa interfere muito em aspectos como: consumo de energia, materiais (reciclagem e quantidade), impacto do transporte, quantidade de emissões de CO2 (produçaõ da gar, etc. Importante abordar a questão, mas também é importante entender que um vinho sustentável não é somente aquele que tem um método de produção orgânico ou de fair trade, mas que há aspectos extra campo que precisa ser analisados. Abs, Marcelo Aversa

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