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Constrangimentos que passamos quando somos “eno-leigos”

Publicado em: 19 Outubro, 2011 por Vitor N.

Sim, eu acabei de inventar a expressão 'eno-leigo'. Me desculpe, mas eu não consegui pensar em outra palavra que tivesse o mesmo sentido que eu queria. A próxima opção seria 'ignorante', mas acho que não cairia muito bem. Mas já estou divagando...Todos nós já fomos eno-leigos um dia. A maioria ainda é, mas é por isso que a WineTag existe, não é? E quando você não conhece muito bem de um assunto, as chances de você cometer alguma gafe ou passar aquela vergonha por falar uma besteira ou agir de maneira questionável são bem grandes.

Cena do filme Sideways (2004)

Atire a primeira pedra quem nunca pelo menos passou um certo aperto no restaurante ou na loja na hora de pedir um vinho estrangeiro, naquele idioma que te faz torcer a língua para pronunciar. Até com inglês muita gente ainda tem dificuldade, imagina com francês ou italiano. É quando o Veuve Clicquot sai como 'Vélve Clicuôti'. Daí você pronuncia para o garçom com aquela cara de quem ao mesmo tempo pede desculpas, já dando o sorrizinho sem graça.

O 'mico' pode vir de várias formas. Se você não tem o costume de beber vinho, com certeza não deve conhecer regras e métodos de degustação. No máximo já viu a galera enfiando o nariz dentro da taça para cheirar e tenta imitar, ou então dando aquela giradinha para soltar o aroma. Daí se não estiver preparado, pode acabar fazendo algo que renda algumas boas risadas e um rosto ruborizado.

Conversando com amigos e colegas, descobri que essas histórias são mais comuns do que imaginava. Aliás, foi por causa de uma situação que uma amiga passou que achei interessante escrever este texto. Ela gosta de vinho, mas não é grande conhecedora dos rótulos ou da cultura. No último fim de semana ela resolveu ir a um restaurante bacana, mais sofisticado. Olhou a carta e pediu um tinto brasileiro. Ao servir, o garçom naturalmente colocou um pouco na taça para que ela pudesse degustar e ver se estava tudo certo e o vinho não estava com algum defeito. Mas ela não sabia desse detalhe. O que se seguiu foram alguns segundos hilários dela olhando da taça para o garçom, esperando que algo acontecesse ou ele falasse alguma coisa. Até que ela soltou: 'ah moço, comigo não tem essas frescuras não! Pode encher ela toda!', pensando que ele iria servir um pouquinho de cada vez. Não preciso dizer que o garçom não segurou o riso e ela morreu de vergonha enquanto ouvia a explicação, não é?

Mas talvez mais do que a vergonha por desconhecer as práticas é a vergonha quando se toma um susto com o preço da garrafa porque não soube ler a carta. É o que aconteceu com outra amiga em Paris, num bar ao lado da Torre Eiffel. Ela decidiu pedir um vinho da carta, que não mostrava preço e escolheu sabendo apenas que era tinto. O bar não parecia ser caro, então pensou: 'Bem, se for até 30 euros não tem problema'. Quando a funcionária trouxe o vinho e ela viu a rolha, se desesperou. Era parecida com a rolha de champagne e na mesma hora pensou: 'Ferrou!(sic) Como que eu vou pagar uma garrafa de champagne na França?!' Imediatamente, sem falar praticamente nada de francês e sem a garçonete entender inglês e muito menos português, ela tentou gesticular de todas as maneiras possíveis que era para cancelar o pedido. Só depois de algum tempo de desespero percebeu que na verdade se tratava de um Lambrusco, que ela não conhecia na época. A coitada já devia estar se preparando para passar o resto da viagem trabalhando no bar para pagar a conta.

Ah se eu soubesse...

Mas nesse caso foi apenas um susto. E quando o mal-entendido realmente rende uma conta bem cara para o bolso do desentendido? Imagine que você, homem, leva uma moça para jantar, na esperança de não voltar sozinho para casa. Daí decide impressionar e vai todo confiante naquele restaurante caro, pede a carta de vinhos e escolhe o vinho com a determinação de um verdadeiro macho alfa. Pois bem, a garrafa é servida, o vinho é degustado com imenso prazer, todo o jantar está maravilhoso, então chega a hora de pedir a conta. R$13.500. E aí você só pode chorar ou infartar. Parece coisa de filme, mas isso realmente aconteceu. O sujeito leu o preço errado do vinho e ignorou dois zeros do valor. Naturalmente ele não tinha condições de pagar aquela conta e depois de muita conversa com o responsável, o restaurante fez a gentileza de cobrar apenas o preço de custo do vinho, que ainda chegava a mais de R$7.000. Resultado: o cliente teve que escrever 10 cheques para pagar o valor da conta e ainda terminou a noite sozinho tamanha a vergonha que o evento rendeu.

Essa doeu!

Quanto a mim, felizmente nunca passei por nenhuma situação tão inusitada assim a ponto de valer a pena relatar aqui. No máximo não soube pronunciar um nome (coisa que acontece até hoje, diga-se de passagem), segurar a taça errado, etc. Mas como eu disse, todos nós já fomos iniciantes e muita gente ainda é. Os erros e os “micos” fazem parte da experiência e do crescimento enogastronômico. O mundo do vinho é fácil de apreciar, mas não é tão fácil de dominar. Só precisamos tomar cuidado para não bebermos acidentalmente uma garrafa mais cara do que os móveis da casa.

E vocês, leitores? Já passaram por alguma ocasião de constrangimento por terem falado ou feito alguma coisa errada com relação ao vinho? Já pagaram aquele mico na hora de tomar uma garrafa num restaurante ou na casa de um amigo? Com certeza vocês devem ter uma história vergonhosa e engraçada para compartilhar (engraçada para os outros pelo menos). Vamos dar umas risadas juntos abaixo nos comentários, de preferência com uma boa taça de vinho na mão.

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Comentários na WineTag

123

André P. disse há 3467 dias às 14:06h:

Senti uma facada no meu próprio peito ao imaginar a história dos 13.5k

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Silvio C. disse há 3467 dias às 18:18h:

Os 13.5k de conta doem, mas acho mais tenso não conseguir se comunicar com a pessoa na língua dela, e ter que se fazer entender por sinais. Nossa, que situação horrível.

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Luís Eduardo R. disse há 3465 dias às 23:39h:

Eu imagino o desespero do cidadão ao ver uma conta "gorda" dessas...

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Michelle C. disse há 3460 dias às 16:05h:

Muito bom o texto. Espero nunca passar por uma situação dessas! rss

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pablo f. disse há 3449 dias às 11:50h:

Organizei um coquetel de lançamento, e escolhi dois tintos, um chileno e outro argentino comerciais, para servir. Em geral, são vinhos que não alteram fácil devido à substancial presença de conservantes e por serem de consumo imediato, não me fiz de rogado, abri e servi. Primeiro o chileno, e ao término do mesmo, entrei com o argentino. Uma, duas, três garrafas e resolvi tomar uma tacinha que também sou filho de Deus (Organizei e executei o evento para umas 30 pessoas). Ao tomar o vinho, putz! Que gosto estranho era aquele! Olhei a cor, turva. Cheirei, aquele final meu estranho. Mais um gole e corri pra abrir outra garrafa! Degustei e confirmei. Vinho alterado! Abri outra para confirmar, pronto. Àquele garrafa, já servida, todos bebendo alegremente e nínguem percebeu que o vinho estava estragado. E nos outros que degustei, o fim de boca já indicava que a alteração do vinho. Imperceptível, pois era muito leve. Mas todos meio embriagados, saí íncolume do meu descuido.

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Leonardo R. disse há 3394 dias às 13:37h:

A minha pérola foi pedir um chardonnay pronunciando char - do - na - i ... e ainda achando que estava abafando... E aquelas outras situações típicas de um iniciante: pedir ao sommelier "me da uma recomendação de um vinho tinto docinho"... Hoje que eu entendo aquele sorrizinho sarcástico do cara como quem pensa "coitado, não sabe o que faz"... e ficava feliz da vida com aquela garrafa baratinha, e eu pensava "nossa, que garrafa gostosa e baratinha"....

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MARISNAIDE F. disse há 2480 dias às 12:30h:

Pesquisando sobre vinhos na internet, cheguei até aqui, gostei muito e dei boas risadas com seus comentários.Rsrssrsrs Bem sei que as situações vivenciadas nem caberiam risos, pois imagino a "saia justa" pela qual passaram esses incógnitos....Confesso que eu não gostaria de estar na pele de nenhum deles. O motivo de minha pesquisa deve-se ao fato de um primo ter feito a mim e ao meu esposo um convite para jantarmos no restaurante chiquérrimo de frutos do mar, onde ele trabalha como garçom. Penso que será tranquilo pelo fato de meu primo já ter muito conhecimento e familiaridade com o local e demais garçons. Fato este que muito me anima, porém, quero buscar um certo conhecimento à cerca do assunto "vinhos", pois não quero, ainda assim, cometer as gafes mais comuns. Preciso realmente aprender para em outras situações nas quais meu primo garçom não estiver ao meu lado para salvar-me. E olha que já aprendi algumas coisinhas passando por aqui...obrigada e torçam por nós!!! rsrsrs

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