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Alvarinho ou Albariño?

Publicado em: 09 Novembro, 2011 por Inês C.

Embora a Turquia seja o país que apresenta maior diversidade de castas (Vitis vinifera), as cepas francesas são as que mantêm mais destaque internacional, tendo sido as mais disseminadas por todo o mundo vitivinícola. Não é de se estranhar, até porque os franceses sempre souberam vender muito bem os seus produtos, revestindo-os de uma aura de luxo e exclusividade que, frequentemente, não passa de um excelente exercício de marketing. Com mérito ou não, o vinho francês foi durante muitos anos a referência e o expoente máximo do mundo do vinho.

Mal ou bem, as castas francesas foram alvo de todo um processo de internacionalização, pelo qual atualmente todos os países vitivinícolas produzem, por exemplo, Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah ou até mesmo Chardonnay e Sauvignon Blanc. Na verdade, são os países denominados de “Novo Mundo” que mais evidenciam esta tendência, especializando-se em trabalhar este conjunto restrito e monótono de variedades francesas, devendo hoje o seu sucesso à qualidade do seu trabalho, criatividade, tecnologia e inovação e não necessariamente às próprias castas utilizadas.

Outros países, nos quais Portugal se encontra incluído, deveriam fazer valer com o mesmo trabalho de qualidade, a originalidade e vasta personalidade de suas castas nativas. Então, por que não apostar na grandiosidade da Touriga Nacional, Trincadeira, Tinta Roriz ou até mesmo na magestosa Alvarinho?

Casta antiga e de qualidade excepcional, responsável pela merecida fama dos vinhos brancos varietais produzidos na região dos Vinhos Verdes, a Alvarinho apresenta um perfil floral e frutado muito característico, com notas de tília, erva-cidreira, madressilva, pêssego, toranja e maçã, personalidade bem vincada e balenceada com a sua elevada acidez, característica bem típica dos brancos do noroeste da Península Ibérica. A par de ser considerada um verdadeiro ícone português, também se encontra bem adaptada em solos espanhóis, onde é tradicionalmente cultivada em Galicia, mais propriamente na região de Rías Baixas, porém é apelidada de Albariño. Mas quais as diferenças entre os vinhos desta casta, oriundos destas duas emblemáticas regiões?

Em Portugal, na região do Minho, internacionalmente conhecida como região dos Vinhos Verdes, os vinhos elaborados com a casta Alvarinho (também conhecida como Galego ou Galeguinho) possuem, regra geral, “agulha”, isto é, uma ligeira gaseificação, resultante da fermentação ou, hoje em dia, da própria adição de dióxido de carbono, que aliás é bem característica deste tipo de vinho do noroeste de Portugal. Dando origem a vinhos com aroma acentuado, são também os que apresentam maior graduação alcoólica, chegando até aos 14% vol. (a grande maioria dos Vinhos Verdes possui um teor alcoólico entre 8% a 11,5%) e, contrariamente aos demais brancos desta região, constatou-se que o Alvarinho possui grande afinidade para a fermentação em barricas de carvalho, agradecendo também o estágio em garrafa, podendo mesmo até envelhecer por alguns anos, dando origem a vinhos mais estruturados e untuosos.

Na vizinha Espanha, em Rías Baixas, o Albariño apresenta, regra geral, maior densidade e mineralidade. De qualquer forma, são vinhos de um inebriante aroma sedutor e grande frescura na boca. Atualmente os Alvarinhos/Albariños viajam Mundo afora, obtendo um reconhecimento mais do que merecido. Contudo, precisamos reconhecer também o trabalho dos produtores que ao longo de anos têm se dedicado a tirar o máximo proveito dos frutos de sua terra.

É através da ciência de combinar as características de cada casta e selecionar as mesmas em função da sua melhor adaptação a um determinado terroir e/ou ao tipo de vinho em vista que se tem enriquecido esta vasta cultura e mercado. A criatividade não está esgotada e a aliança da tecnologia à versatilidade e diversidade das vinhas é altamente promissora. Muito se fez ao longo dos séculos e muito ainda se irá continuar a fazer!

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Comentários na WineTag

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ricardo m. disse há 3435 dias às 21:53h:

Fui à uma degustaçao de vinhos espanhois dias atras e acabei comprando algumas unidades de brancos e tintos. Lendo esse artigo agora, verifiquei que degustei ontem no jantar uma das garrafas espanholas e era um Albarino D Fefianes Rias Baixas 2009 (nota 90 RP). Muito vivo, saboroso e bom perfume, pra mim nota 91. Bom artigo Ricardo

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