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Um futuro “fortificado” para o vinho no Brasil

Publicado em: 23 Novembro, 2011 por Mateus V.

Na última vez que estivemos juntos apresentamos alguns números do panorama mundial vitivinicultura. Ficou claro como o mercado do vinho tem mudado nos últimos 30 anos, devido principalmente ao processo de forte globalização deste período. A partir de tais dados, podemos agora analisar a fundo a extensão da atual conjuntura do mercado de vinhos no mundo e mostrar o reflexo destas mudanças para você, o consumidor.

Verificou-se uma inversão da produção e do consumo de vinho dos países tradicionais aos países de consumo não tradicional. Isso tem levado a uma profunda reflexão por parte dos produtores no que diz respeito à linguagem adotada e no modo de divulgação, que vem sendo adaptada às pessoas com pouca ou nenhuma familiaridade com o mundo do vinho.

A globalização teve um papel fundamental na disseminação do vinho em todos os continentes. Hoje a Ásia é o mercado mais visado pelos exportadores. Além disso, os chineses estão comprando vinícolas mundo afora e estão bebendo Grands crus pelo bico da garrafa sem se importar. A forte crise que afeta a Europa, considerada a pior desde a Segunda Guerra, aliada à queda no consumo interno de vinho, está afetando muito os viticultores de lá, principalmente os pequenos. Mesmo com a crise, e com excedente de produção, a maioria dos vinhos Europeus chega ao mercado brasileiro com um custo muito alto. Transporte, impostos, diferença cambial ou ganância dos atravessadores fazem com que alguns vinhos, mesmo que simples, custem caro aqui no Brasil.

O mercado brasileiro consome mais vinhos finos importados do que nacionais, principalmente chilenos e argentinos.  A Argentina foi um dos países que teve um aumento significativo de sua produção vinícola de 2009 para 2010. Aumento de 34% que, aliado ao constante decréscimo de seu consumo interno e de suas exportações para os EUA e Rússia, apresenta uma situação muito preocupante. Por isso, o Brasil é o mercado mais visado pelos argentinos. Afinal, estamos ao lado geograficamente e temos uma economia em expansão. 

Curiosamente, os argentinos foram os que realmente “sacaram” o gosto do brasileiro. Vinhos frutados e levemente adocicados, embora no rótulo conste “vinho seco”. Enfim, veremos cada vez mais rótulos de Malbec nas gôndolas de lojas e supermercados. Na verdade entrarão mais e mais vinhos no mercado e de diferentes procedências. Teremos grandes surpresas oriundas de novos terroirs. Somente no Brasil, surgem três novas vinícolas por mês. Ao final de um ano são 36 novas empresas disputando um lugar no mercado e oferecendo novidades ao consumidor. Estes novos empreendimentos trazem inovação e geralmente são focados na qualidade. Teremos vinhos cada vez mais acessíveis devido ao incremento e à otimização da produção. Também haverá um aumento qualitativo significante dos vinhos brasileiros devido ao grande avanço técnico do setor. 

A economia crescente será fundamental para a melhoria dos vinhos no mercado nacional. A cota para o Brasil de vinhos de luxo, se é assim que podemos denominar os vinhos raros e caros, deverá aumentar graças à baixa no consumo dos países europeus e o aumento da renda do cidadão brasileiro, impulsionando a transição dos cidadãos da classe B para classe A, e da classe C para B. Lentamente, vemos um ligeiro avanço no processo de democratização do vinho no país, o que é muito bom. O mercado de vinhos só tende a ficar mais atrativo para os consumidores. 

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Comentários na WineTag

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Ricardo B. disse há 3051 dias às 17:31h:

Mateus, acredito que o Brasil ainda tem muito que avançar para que o consumo seja democratizado, você pode observar por exemplo, esse Selo Fiscal que de nada defende o vinho nacional e sim encarece para o consumidor final ainda mais o vinho que alias O Brasil é um dos países onde o vinho é mais caro. O que observo que muitos importadores e enófilos estão é repudiando os vinhos de quem apoiou esse selo e de quebra ainda fazem campanha contra o vinho nacional, isso é um revolta que tem sentido.

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Pedro F. disse há 3051 dias às 18:43h:

Prezado Mateus, sou um defensor do produto nacional ,seja ele qual for, o Brasil precisa produzir para gerar emprego e possibilitar uma divisão de renda (única forma de possibilitar uma democratização no Capitalismo). Porém, apesar de defender e torcer para o vinho nacional, não consigo tomar os vinhos nacionais, por um simples motivo: compro vinhos em uma faixa de 50 reias, comprando um brasileiro por esse valor, degusto um vinho MUITO pior que um Argentino, por exemplo, que custa entre 30 a 50 reias. Ora, se um vinho importado de melhor qualidade chega aqui mais barato, como posso beber vinhos brasileiros? Até onde saiba, o imposto do vinho nacional e menor que do importado, dentro do Brasil. Um vinho tinto Brasileiro com exelência, que se fosse chileno, por exemplo, custaria aqui 50 Reias como, um Trio da concha y toro ou um Koyle Reserva, custa 100 Reais. COMO???? Os outros também tiveram transpote, com u madendo, foi internacional. Há algo errado no reino do vinho brasileiro.

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João P. disse há 3051 dias às 20:39h:

Prezados, outra coisa que estou começando a perceber e a queda de preços de vinhos espanhóis e imagino que este possa ser um efeito / necessidade daquele pais abrir novos mercados. Sem duvida se esta tendência se confirmar quem ganha somos nos, consumidores.

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Miguel M. disse há 3043 dias às 12:31h:

Perfeito, PEDRO F. !! Tenho o mesmo entendimento quanto ao comprar vinho nacional. Particularmente gosto de muitos rótulos, mas só os aprecio de quando em vez. Não dá para consumir mais a miúdo devido ao preço e 'similares' sulamericanos (e até europeus) mais em conta e de mesma ou melhor satisfação..

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