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Ainda precisamos dos “Robert Parkers” do mundo?

Publicado em: 14 Dezembro, 2011 por Vitor N.

Não importa o segmento ou o produto, se o consumidor tem qualquer tipo de dificuldade em escolher o que consumir, cedo ou tarde alguém vai chegar e se autoproclamar conhecedor profissional a fim vender sua opinião. Talvez os mais famosos (e também mais odiados) sejam os críticos de filmes, que ainda hoje parecem brotar aos montes a cada esquina e blog, mas poucos são os que realmente sabem do que estão falando.

Robert Parker - Crítico internacional

Esta é provavelmente uma observação que pode ser feita sobre críticos “profissionais” em qualquer segmento, inclusive no mercado de vinhos. Entretanto, existem, de fato, aqueles que se destacam e ganham prestígio a ponto de tornarem suas avaliações referências e verdadeiros guias sobre o que tem qualidade e o que não tem. No caso do vinho, nomes como Robert Parker e Wine Spectator vêm imediatamente à cabeça, pois as vinícolas e distribuidoras fazem questão de estampar as notas dos seus rótulos com as siglas dos críticos ao lado.

A questão é: nós ainda precisamos de profissionais nos dizendo o que comprar ou do que gostar quando temos a internet tão prontamente disponível e transbordando de informações e opiniões de milhões de consumidores ao redor do mundo? Eu sei bem que isso pode soar como um texto pró-WineTag, mas eu prefiro pensar que é muito mais um texto pró-web 3.0.

Aliás, a já “ultrapassada” Web 2.0 é suficiente para suprir nossas necessidades. Todo mundo já ouviu falar dela em algum momento, e mesmo que você não saiba o que é, faz uso o tempo inteiro navegando na internet. A onda de conteúdo gerado por usuários, por pessoas comuns, do conforto de suas casas e aparelhos próprios, é a própria Web 2.0. Ela é, portanto, a mãe de todas as redes sociais do mundo, inclusive da WineTag.

Hoje, buscar informações pela internet e saber a opinião geral de outros consumidores é uma maneira mais simples, eficaz e confiável de tirarmos nossas próprias conclusões sobre um vinho. Milhares de pessoas ao redor do mundo publicam suas avaliações em sites de e-commerce, blogs, redes sociais e sites especializados. Então por que ainda precisamos tanto validar nossas escolhas de consumo através de notas oficiais de instituições e publicações? Por que deve importar se um vinho tirou nota 90 e outro tirou nota 96?

Gosto, como todos sabem, é algo extremamente subjetivo. Cada um tem o seu, e vinho inclusive não tem como ser mais fiel a esta máxima. A infinita diversidade de sensações e experiências que um rótulo pode proporcionar é única para cada degustador. O que mais se fala é o quanto nossas percepções das características do vinho podem variar de acordo com nossa memória olfativa e gustativa. Tal fato já é suficiente para tornar questionável a avaliação de uma única pessoa, seja lá quem for, como referência para a qualidade do vinho. Em contrapartida, quando 10 consumidores escrevem suas opiniões sobre um determinado rótulo na internet e você tem acesso a essas informações, tenho certeza de que a conclusão que se chega sobre sua qualidade é muito mais precisa e confiável.

Wine Spectator & Wine Advocate - As 2 principais publicações

Se entrarmos, ainda, no mérito da confiabilidade na imparcialidade das publicações renomadas, a questão piora. Recentemente, com a polêmica envolvendo funcionários da Wine Advocate que estão sendo acusados de cobrar para avaliar vinhos, tal problema se tornou ainda mais evidente, e o nome Robert Parker acabou sendo prejudicado também, já que ele é fundador da WA. A verdade é que você nunca tem certeza se aquela informação que está sendo publicada e “marketeada” não teve nenhum tipo de influência de terceiros.

Ao contrário dos críticos profissionais, o consumidor não avalia seus vinhos ou qualquer outro produto como parte do seu trabalho. Ele avalia por livre e espontânea vontade com a única pretensão de ajudar outros que possam vir a querer saber sobre tal rótulo. É uma prática livre de suspeitas de troca de favores, interesses mútuos, subornos ou qualquer escândalo que possa colocar em xeque a imparcialidade da avaliação.
Sei bem sobre a importância da tradição e da presença de uma palavra oficial apoiando o marketing do vinho, mas sou também convicto de que a crítica oficial deveria ser a que menos importa e longe de ser decisiva na escolha de uma garrafa.

Obviamente, essa é uma questão muito pessoal que não se limita apenas ao mundo do vinho. Não espero que todos compartilhem da minha maneira de pensar e adoraria ouvir o lado oposto da questão. A crítica oficial conta muito para você? É essencial na hora de escolher um vinho? Qual é a importância das notas das publicações na sua decisão de compra? Deixe um comentário, opine, e vamos discutir, afinal estamos aqui para trocar idéias.

Sobre o Autor

Comentários na WineTag

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Marcos C. disse há 3410 dias às 12:25h:

Acho que o conteúdo gerado pelo usuário é fundamental para a tomada de decisão, exatamente pela suposta imparcialidade que você menciona. Contudo, entendo que o review oficial também é muito importante para dar um norte aos degustadores, sobretudo os iniciantes. Como a análise do vinho é muito particular, os consumidores podem gerar opiniões muito diversas - positivas ou negativas - sobre determinado vinho. Se você considerar o ponto de vista de um estudo chamado paradoxo da escolha, essa grande quantidade de informação irá confundir mais do que ajudar no processo decisório que o consumidor. E é aí que acho que a crítica oficial ajuda, pois levará o indeciso para um lado ou para outro, ajudando a ele formar sua opinião e melhorar seu repertório degustatório.

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Flávio G. disse há 3410 dias às 12:30h:

Acho importante a opinião de especialistas. Mas... após alguns anos e muitas garrafas degustadas, acho que o paladar e o bolso são os que decidem na hora da compra.

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João P. disse há 3410 dias às 13:11h:

Concordo com o Marcos em parte. Hoje em dia depois de algumas taças a mais de experiência, consigo perceber que alguns especialistas são mais "imparciais" que outros. Separando o joio do trigo, assino em baixo do que o Marcos disse!

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Margareth d. disse há 3410 dias às 13:22h:

Gosto de saber a opinião dos especialistas e dos consumidores , junto a uma avaliação pessoal . Não descarto um vinho pela sua pontuação, gosto de ter o prazer (as vezes não tanto) de avaliar. Compro vinho com valores medio de R$50,00 a R$100,00, porem não descarto com valores abaixo, pois podemos ter uma grata surpresa.

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Eduardo V. disse há 3410 dias às 13:27h:

Robert Parker é a maior fraude do mundo do vinho, mas infelizmente este mercado é consumido por pessoas religiosas acostumadas a terem "um messias" lhes guiando. Robert Parker se aproveitou disso para se auto intitular o dono do nariz e paladar mais caro do mundo.

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Bruno N. disse há 3410 dias às 15:42h:

não confio 100%, mas é a base que se tem quando não tem outra opinião a seguir. Felizmente no Br a gente tem a winetag :)

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Marcio C. disse há 3410 dias às 16:32h:

Prefiro opiniões de amigos do que a de especialistas. Ja degustei muito vinho ruim com nota acima de 90 do Robert Parker

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Cassius S. disse há 3409 dias às 10:07h:

Olha, pra mim, o Parker não é diferente daqueles moleques que se fazem de guia nas praias do nordeste: úteis para o início da viagem... mas basta você prestar atenção ao que está fazendo e por onde está andando que não vai mais precisar deles a partir do segundo ou terceiro dia...

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Brunno G. disse há 3409 dias às 10:20h:

Bom dia Meu nome é Brunno Guedes Sou Sommelier e ate certo ponto concordo com sua opinião por que críticos todos nos somos um mias outros menos, Gosto é pessoal e intransferível vai de pessoa para pessoa a cultura e o estilo de vida também deve ser levado em conta quando uma pessoa começa nesse mundo. Os críticos são bons para pessoas que não gostam de se arriscar e para pessoas caçadoras de notas. Mas toda critica é válida, nos que temos que provar ao contrario.

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Mateus V. disse há 3404 dias às 22:06h:

Caro Vitor. Excelente artigo. Levantaste uma questão que rendeu uma bela discussão. Também concordo com o Marcos em que para os iniciantes sempre terá de haver um Norte, uma referência. Mas para os mais informados as opiniões "oficiais" terão cada vez menos importância.

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