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Você já comeu Pinot Noir?

Publicado em: 31 Agosto, 2012 por Mateus V.

O título soa até engraçado, mas a ideia dessa vez é justamente falar da uva e não do vinho. Você já comeu Pinot Noir, Chardonnay ou qualquer uva que estampe os rótulos dos vinhos? Provavelmente não, mas com certeza já bateu a curiosidade de experimentar e se perguntou por que  estas uvas se encontram apenas em forma líquida. Por que elas inexistem nas prateleiras das frutas? Por que delas só se produz vinhos, espumantes ou destilados?  

A espécie de uva que origina vinho já diz tudo: Vitis vinífera, que se presta a elaboração de vinhos. Não quer dizer, no entanto, que elas não sejam apreciáveis para consumo in natura. A razão de um fruto ser doce e atrativo é para que suas sementes sejam disseminadas através do consumo dos animais. As aves, em certos vinhedos, são as dores de cabeça de alguns viticultores. Na campanha gaúcha, por exemplo, os pombos são um problema real. Todo esse sabor, claro, acaba sendo atraente até para nós.

Em primeiro lugar, estas uvas foram selecionadas ao longo dos anos pelo homem pela sua capacidade de concentração de açúcares e também pelo sabor do vinho delas resultante. A vantagem de concentrar mais açúcar é obter um teor alcóolico maior no vinho. Além deste atributo estas uvas possuem bagas menores, ou seja, uma maior proporção de casca para polpa, o que quer dizer mais cor e tanino para os vinhos tintos. Entretanto, por mais saborosa que seja, a Vitis vinífera acaba tendo pouco tempo de prateleira, isto é, tem pouca durabilidade no chamado pós-colheita, por causa da película fina. Além disso, elas possuem um conteúdo pequeno em polpa, perdendo um pouco do seu valor.

Há, no entanto, as variedades do grupo das moscatéis, que são aromáticas e são usadas tanto na vinificação como para consumo in natura. As variedades Itália, Rubi e Red Globe, por exemplo, são facilmente encontradas nas prateleiras das frutas e podem resultar em bons espumantes moscatéis. Seus atributos são aromaticidade, crocância e o bom equilíbrio entre o açúcar e a acidez.  Por possuírem uma casca resistente elas têm uma vida longa em prateleira, portanto mais fácil de comercializá-las.

Algumas uvas para vinhos que possuem sabor interessante são as brancas do grupo das aromáticas, como a Gewurztraminer, a Sauvignon blanc, os Moscatos e as Malvasias. Possuem um sabor típico e facilmente identificável ao beber o vinho delas graças aos aromas terpênicos. Mas o melhor mesmo é comer uvas em fase de pacificação. Uvas como a Chenin blanc, a Semillon e a Sauvignon blanc são deliciosas quando desidratadas e se parecem com damasco seco.

As uvas tintas também são gostosas, mas têm pouca polpa e a melhor maneira de apreciá-las é conduzir o cacho à boca para abocanhar diversos bagos de uma só vez, como na foto. Esta foto foi tirada no inverno. É um cacho de Pinot Noir remanescente, dos que brotam das feminelas, ramos secundários das videiras e que amadurecem mais tarde e acabam nem sendo aproveitados para a vinificação. 

Para provar as castas o melhor a fazer é visitar uma região vinícola na época da vindima. Lembrando que as uvas, principalmente as tintas, são muito nutritivas e possuem muitas substâncias antioxidantes. Está aí mais uma modalidade de comercialização para as vinícolas que possuem muito vinho em estoque. Vamos lançar a moda e comer Cabernet em casa!

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Comentários na WineTag

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Bruno N. disse há 2451 dias às 15:20h:

sempre me pergunto se a uva que compro no mercado se parece em gosto com a uvas de proucao de vinho. Alias me pergunto qual o nome das uvas do mercado.

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