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Quando os vinhos foram proibidos: O Ato Constitucional de 1919

Publicado em: 20 Setembro, 2012 por Rafael d.

No Brasil, “lei seca” é o apelido dado às regras de trânsito que tornaram mais rígidas as restrições de álcool para motoristas. Contudo, a maioria de nós nunca sentiu de fato os efeitos de uma verdadeira Lei Seca, como a que atingiu os Estados Unidos entre os anos de 1920 e 1933.

A Lei Seca estampou jornais e revistas da época

Para quem acha que é ruim não poder beber porque vai dirigir, já pensou como seria se não fosse permitido bebericar nem mesmo em casa? No período da Lei Seca americana, ficou proibida a fabricação, transporte e comércio de bebidas alcoólicas em todo o país, e até hoje há dificuldades nesse setor (muitas lojas e comerciários não conseguem transportar seus produtos para todos os estados do país).

Porém, como toda lei, sempre há uma saída. Havia uma ata que permitia a utilização de vinhos em missas e cerimônias religiosas. Claro que muitos se aproveitaram disso para outros propósitos: já no início da proibição, a demanda das igrejas aumentou em 800 mil barris de vinho.

Bebidas, 'capiche'?

Foi assim que a Lei Seca impulsionou a máfia no país. Para os criminosos, o mercado negro das bebidas era muito mais lucrativo que os tradicionais jogos de azar e a prostituição. Garrafas foram desviadas, e eventos sacros (falsos) eram inventados um atrás do outro. Sem contar a violência, que aumentou consideravelmente nesse período com as 'matanzas' promovidas entre gangues e homens de lei.

Al Capone, interpretado pelo ator Stephen Graham na série Boardwalk Empire

'Nessa época, conseguir uma bebida era como negociar drogas ou armas, sempre na ilegalidade. Quem nunca ouviu falar do famoso gângster Al Capone, de Chicago? Foi ele quem mais se deu bem com a Lei Seca. Em apenas dois anos comando o mercado negro dos vinhos, conseguiu aumentar sua fortuna em mais de 80 milhões de dólares. Sempre em sua chamativa limusine, e rodeado por guarda-costas, dizem que Al Capone estava por trás dos principais políticos do país (muitos acreditam que também teve influência sobre os maiores produtores de vinho que conhecemos hoje). 

Além disso, muita gente começou a produzir vinho clandestinamente em suas casas. Vinhos que estavam muito longe de serem algo “bebível”. Elaborados por pessoas que não entendiam do assunto, eram de péssima qualidade, e às vezes até perigosos (há registros de pessoas que ficaram cegas ou perderam a mobilidade em alguma parte do corpo graças a essas bebidas caseiras).

Com isso, os americanos também perderam a capacidade de apreciar vinho. Pode-se dizer até que a Lei Seca “matou” a vitivinicultura do país. Durante anos, mesmo após o fim da lei, os Estados Unidos não tinham um único rótulo bem avaliado.

O poderoso chefão dos vinhos

O primeiro vinho “pós-Lei Seca” comercializado veio da Califórnia na década de 1970, pelo produtor Joseph Phelps. Ele conseguiu reinserir o país no mapa dos vinhos internacionais com o seu premiado Syrah da safra de 1974.

Hoje, os Estados Unidos já tem lugar de respeito entre os produtores do Novo Mundo, e a Califórnia é responsável por alguns dos melhores e mais estrelados vinhos do planeta.

Há quem diga que os americanos bebem muito, mas com toda esse drama nas costas, estariam eles errados?

 

Artigo originalmente publicado em www.sonoma.com.br

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Comentários na WineTag

3

Test U. disse há 2792 dias às 20:06h:

bbb

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0

tereza cristina da rocha C. disse há 2787 dias às 13:30h:

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0

tereza cristina da rocha C. disse há 2787 dias às 13:31h:

Excelente aprendizado sobre a lei seca!!!

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