Busca de Artigos:

Até que ponto a safra importa?

Publicado em: 08 Outubro, 2013 por Winetag B.

Poucas características do universo do vinho são tão comentadas quanto a safra. A ideia de que vinho antigo é melhor e mais valioso é tão disceminada quanto o estereotipo de que a qualidade está associada ao preço. Entretanto, como muitas outras “verdades” que as pessoas compartilham por aí sobre vinho, a realidade não é bem essa, e a importância da safra não é absoluta em qualquer caso, tanto que muitos restaurantes não mencionam a safra na carta.

Mas antes de analisarmos o valor da safra, precisamos entender o que ela significa.

Por que as safras mudam?

Existem várias razões para o seu vinho preferido ficar diferente ano após ano. A mais impactante e mais óbvia é o clima. As condições climáticas num mesmo vinhedo podem variar bastante ano após ano dependendo da região. É muito difícil que as condições climáticas sejam perfeitas ano após ano. Mas, geralmente, os vinhedos se adaptam e tomas as medidas necessárias para combater os problemas que o tempo pode causar.

Tirando os desastres naturais, que estão em outro patamar de problema, as condições climáticas que mais afetam a qualidade das uvas são o excesso de chuvas ou temperaturas muito baixas. Enquanto a primeira deixa a polpa da uva muito diluída, a segunda não permite que a fruta amadureça suficiente. Quando o assunto é clima, qualquer extremo é um problema óbvio.

Mas existem outros fatores que podem influenciar a qualidade do rótulo a cada ano. Mudanças no modo de produção, técnicas diferentes, mudança de gerência ou de produtor responsável...qualquer alteração no processo de produção pode resultar em variações nas características e qualidade do rótulo.

Felizmente, a tecnologia e as técnicas hoje disponíveis na produção de vinho ajudam a combater condições climáticas desfavoráveis. Embora o homem ainda esteja longe de conseguir domar a natureza, produtores hoje contam com know-how para compensar alguns dos efeitos que o clima ruim pode causar num vinhedo. Por isso, inclusive, que muitas especialistas afirmam que o produtor é muito mais importante do que a safra, pois um bom enólogo pode fazer toda a diferença na qualidade final do vinho, mesmo que o ciclo da videira não tenha sido o esperado. Salvo, claro, casos radicais.

Onde a safra realmente importa?

A resposta para essa pergunta não é muito simples. Mas, de maneira geral, podemos dizer que os vinhos de regiões de clima instável sofrem muito mais alteração ano após ano do que de regiões mais estáveis e previsíveis.

Não podemos falar de clima instável sem falar de Bourdeaux. Existem várias razões para os vinhos da região serem alguns dos mais famosos do mundo, e dentre elas está a dificuldade em domar a grande quantidade de chuva, principalmente considerando que a legislação limita muito os artifícios que os produtores podem usar para garantir a qualidade sem perder o direito de DOC.

Outras regiões, como Rhône e Piemonte, também apresentam algumas condições extremas de clima, mas as vinícolas geralmente têm um pouco mais de controle sobre a própria produção sem que a legislação interfira tanto.

Em contrapartida, as vinícolas de Napa, nos Estados Unidos, e até do Sul brasileiro costumam gozar de um clima estável e mais favorável aos vinhedos. Por conta dessa estabilidade, a safra desses vinhos acabam importando menos, pois as mudanças são menos aparentes a cada ano, a excessão de safras excepcionais.

Os vinhos mais baratos e marcas mais populares, com processo de produção em escala e industrial, tendem a apresentar pouca ou quase nenhuma variação entre uma safra e outra. O processo dificilmente muda de um ano para o outro e os produtores utilizam de artifícios que compensam alguns problemas que podem ter sido causados durante o ciclo da videira, como adicionar água para diluir uvas maduras demais.

Já os espumantes e vinhos do Porto costumam seguir diretrizes próprias na hora de destacar a safra. Geralmente esses vinhos não são safrados, a não ser em casos de uma colheita muito especial e de alta qualidade. Quando um produtor faz questão de colocar a safra nesses vinhos, é porque ele caracterizou como um ano digno de destaque.

Tudo depende do seu nível de conhecimento

No final das contas, avaliar a importância da safra depende do nível de conhecimento e da intenção de cada um. É claro que enólogos ou entusiastas, que estudam as regiões, os vinhos, tomam notas, etc, vão se importar mais em entender bem as diferenças e comparar cada ano. Além disso, como falamos, ter pelo menos uma noção do histórico da qualidade de safras de regiões complicadas pode ajudar a não pagar caro por vinhos bons querendo se aproveitar de sua denominação de origem e se passar por excepcional.

Por outro lado, se você faz parte da esmagadora maioria de consumidores que só quer degustar o vinho com uma refeição ou enquanto relaxa no sofá com uma boa companhia, a safra não precisa ser um motivo de preocupação. As diferenças para vinhos do cotidiano não são significativas e o consumidor em geral não está preocupado ou até consegue notar as mudanças se não tiver duas ou mais safras ao mesmo tempo para comparar.

Sobre o Autor

Comentários na WineTag

  1. Adicionar Comentário:

    Você precisa estar logado na WineTag para deixar um comentário.

Baixe o App da WineTag

É grátis! Acesse todo o conteúdo da WineTag em seu celular.

...saiba mais»

Go to the website: read the article buying accutane online usa safe try this thread.