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Syrah: Da origem à grande expansão no Cone Sul

Publicado em: 15 Janeiro, 2011 por Euclides P.

É até difícil de acreditar mas a conclusão a que chegaram os pesquisadores da Universidade Davis da Califórnia, com o suporte da estação de pesquisas de Montpellier e com recurso às modernas técnicas de DNA, demonstra de forma inequívoca que os ancestrais de nossa querida Syrah são variedades francesas obscuras, pouco significativas na atualidade, uma da Savóia, a branca Mondeuse, e uma da Ardèche, a tinta Dureza (sic) .

 

Como se sabe que ambas eram cultivadas no sudeste da França ainda antes da Era Cristã, restou pelo menos a certeza de que a Syrah é uma variedade do Rhône mesmo. Nada de Pérsia e coisas que tais. Por outro lado, é fora de dúvida que ela origina pelo menos dois ícones da vinicultura mundial, o Côte Rôtie e o Hermitage, francamente entre os favoritos, inclusive meus, se me permitem....

Um tanto fora de moda durante décadas, esses tintos do Rhône emergiram para a fama nos anos oitenta a partir das avaliações altamente positivas de revistas especializadas e avaliadores reconhecidos dos produtos de Guigal, Delas Fréres, Chapoutier, etc.. Junto com esses vinhos, despertou da letargia sua uva tinta exclusiva, a Syrah.

Não demorou para que, no rastro desse sucesso, a variedade invadisse o Novo Mundo, inclusive a América do Sul, onde está na moda, seja como varietal, seja em corte. Hoje ela se encontra em vinte e cinco paises produtores, fora a França, entre eles Chile, Argentina, Uruguai e Brasil, ora como Syrah, ora denominada Shiraz.

Na recente competição internacional “Syrah du Monde” o Chile levou três ouros e nove pratas e a Argentina saiu-se com um ouro e uma prata.

É certo que o Chile saiu na frente.

Vinícolas chilenas tradicionais como Santa Rita, Carmen, San Pedro e Montes, entre outras, adotaram a variedade em seu portfolio desde os anos noventa e até um pouco antes.

Fundada em 1850, a Viña Carmen elabora um corte (Reserve Syrah – Cabernet) e um varietal (Gran Reserva Syrah).

Existente desde 1870, a Errázuriz entrou na dança com seu magnífico “La Cumbre Shiraz” enquanto que a Viña Santa Rita coloca no mercado o Medalla Real Syrah, correto e encorpado.

A Viña San Pedro dispõe do “Syrah 1865”, número que indica o ano de sua fundação e a Viña Montes mereceu uma nota 94 na wine Spectator com Montes Folly Syrah 2005.

Com sua origem francesa, a Casa Lapostolle não poderia estar fora e orgulha-se de seu Syrah Cuvée Alexandre.

Passando para empreendimentos recentes, a Viña Leyda, no vale de San Antonio desde 1998, nos brinda com um Single Vineyard Shiraz Talhuén. Mais recente ainda, a Viña Tabali, no Valle del Limarí, oferece um Tabalí Special Reserve tanto em 750 ml quanto em Magnum.

E a moderníssima Viña Garces Silva nos oferece o Amayna Syrah cujo 2007 provei in loco por ocasião do Concurso Mundial de Sommeliers e, de novo se me permitem, assino em baixo.

A Argentina seguiu os passos de seus vizinhos.

Ela viu a Sirah/Shiraz ter um desempenho surpreendentemente bom no deserto mendocino, em clima seco e quente, desenvolvendo aquele toque condimentado que faz a grandeza da variedade particularmente em locais de grande amplitude térmica como acontece em Luján de Cuyo.

É o caso do DV Catena Syrah – Syrah, da Catena Zapata. Ou os da Doña Paula, varietal (Paula Syrah) ou em corte (Doña Paula Estate Shiraz – Malbec). E a Syrah entra com 40% no corte do nobre “Dedicado”, da Finca Flichman, território português em Barrancas, Maipu.

O cultivo da Syrah expande-se em Mendoza e os brasileiros da Finca Don Otaviano – vinhos Penedo Borges - a incluíram em 2007 entre suas variedades de cultivo.

Nada de estranhar que nossa heroína tenha chegado ao Uruguai: a Pisano, por exemplo, a cultiva em Canelones, vinificando a partir dela o “Rio de lo Pájaros Syrah” e o “RPF Syrah”.

Faço aqui minha aposta - permitam-me ou não - de que, na segunda década do corrente milênio, a variedade Syrah/Shiraz e seus vinhos robustos, cálidos, apimentados, bem ajustados ao carvalho mas com pouca madeira no paladar, estarão na crista da onda ao lado da Carmenere no Chile, da Malbec argentina, da Tannat uruguaia e da Merlot brasileira.

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Comentários na WineTag

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Fabiana D. disse há 2694 dias às 13:12h:

Belo Post!! Abraços!

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