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Regiões Francesas: Champagne

Publicado em: 18 Abril, 2011 por Luciana F.

Um vinho está sempre relacionado a momentos de comemorações e de intensa felicidade. Sempre abrimos um Champagne em aniversários, casamentos, natal, ano novo e qualquer outra data que considerarmos importante.

 Até hoje não sabemos exatamente quem criou o Champagne, existem muitos rumores que foi o monge Don Pérignon por acidente, mas parece que essa foi mais uma criação da Igreja para exaltar sua importância histórica. Outros afirmam que documentos foram encontrados provando que o primeiro espumante foi criado intencionalmente por um cientista inglês chamado Christopher Merret bem antes do que Don Pérignon.

Monge francês ou cientista inglês, o importante mesmo é que hoje podemos desfrutar desse vinho maravilhoso!

A região de Champagne possui uma temperatura anual de 10°C e, apesar de baixa, a maturação das uvas é beneficiada pelo solo calcário que, além de refletir a luz solar, absorve o calor do sol durante o dia e mantém as vinhas aquecidas durante a noite. Há setenta milhões de anos, toda a região era coberta pelo mar, naturalmente habitado por diversos organismos marinhos, como ouriços, estrelas do mar, ostras, entre outros e, durante o período terciário, há trinta milhões de anos atrás, um terremoto causou a fratura do solo e o mar secou. Por isso, as vinhas estão cultivadas em um solo com enormes depósitos de seres marinhos fossilizados e conchas que contribuem para a mineralidade e complexidade dos vinhos da região. As castas primárias utilizadas na produção de Champagne são as brancas Chardonnay e as tintas Pinot Noir, e as castas secundárias são a tintas Pinot Meunier, e as brancas Pinot Blanc, Pinot Gris e Muscat.

Não se sabe ao certo quem inventou o espumante, mas o seu método de produção conhecido como método tradicional ou champenoise, foi certamente desenvolvido em Champagne. A colheita é feita manualmente e as uvas são cuidadosamente selecionadas e levadas para a vinícola onde passam pelo mesmo processo de vinificação de qualquer outro vinho, ou seja, a primeira fermentação acontece em tanques de aço inox ou barrica. Geralmente a fermentação malolática é evitada, pois ela torna o vinho mais cremoso e muitas casas de Champagne preferem um vinho frutado e mineral. Após a fermentação, especialistas fazem a assemblagem entre diversos vinhos de diferentes anos (NV - sem indicação de safra) ou uma assemblage de diferentes vinhos do mesmo ano (conhecido como vintage ou millesime, que possui o ano da safra no rótulo). A melhor assemblage é escolhida pelo painel de sommeliers e o vinho é produzido e engarrafado em maiores quantidades.

O método tradicional tem início no engarrafamento do vinho, quando se adiciona o “liqueur de tirage” (uma mistura de levedura e açúcar que provocará a segunda fermentação na garrafa). A fermentação por sua vez transforma todo o açúcar em álcool e gás carbônico, um processo que gera sedimento e leveduras mortas conhecidas como lie. O vinho é então estocado em contato com seus sedimentos (lie), com a boca virada para baixo em um ângulo de 45°C e as garrafas são envelhecidas nessa posição durante, no mínimo, 15 meses (NV - Champagnes) e 3 anos (Vintage Champagnes). É durante a estocagem que as garrafas recebem pequenas vibrações para que todos os sedimentos desloquem-se para a sua boca, processo conhecido como “remuage”. A remuage pode ser feita manualmente ou automaticamente. Os procedimentos manuais são mais raros, mas continuam sendo feitos na produção de Champagnes Prestige.

Depois que todos os sedimentos estiverem na boca da garrafa, elas são congeladas, abertas e os sedimentos cuidadosamente retirados, um processo conhecido como “disgorging” (com as garrafas congeladas não há perigo da perda do gás carbônico e de explosão).

Enquanto as garrafas estão abertas, é feita a 'dosage' com adição do “liqueur d'expédition” (uma mistura de vinho e açúcar responsável pelo nível de açúcar do vinho). Todos os vinhos são considerados secos antes da adição do liqueur d'expédition, em algumas garrafas podemos notar o termo “sans dosage”, o que significa um Champagne totalmente seco. Após a dosage, o vinho é envelhecido por mais quatro meses e depois colocado à venda no mercado.

A produção de Champagne é uma arte, é preciso paixão, precisão e dedicação. Ao entender seu processo, é possível compreender melhor por que se paga tanto por ele.

Imagem:1 remuage manual                                              Imagem 2: Lie (leveduras mortas na garrafa após fermentação)

O nível de açúcar em um Champagne pode ser classificado em sete categorias: Brut Nature (também chamado de sans dosage), Extra Brut, Brut, Extra Sec, Sec, Demi-Sec e Doux (ordem da mais seca a mais doce).

Eles podem ser encontrados em quatro estilos: Rosé (assemblage de vinhos tintos e brancos), Blanc de Blanc (produzido 100% a partir da casta branca Chardonnay), Blanc de Noirs (espumante branco produzido a partir das uvas tintas Pinot Noir e Pinot Meunier) e Cuvée Prestige (termo usado para Champagnes de alta qualidade).

Champagnes Cuvée Prestige: Dom Pérignon por Moët & Chandon, Cuvée Louise por Pommery, Belle Époque por Perrier Jouët, Cristal por Louis Roederer, La Grande Dame por Veuve Clicquot, Clos Du Mesnil por Krug, Dom Ruinart por Ruinart, Grande Année por Bollinger e Winston Churchill por Pol Roger.

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Comentários na WineTag

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João P. disse há 2867 dias às 12:12h:

Luciana, excelente artigo, parabéns! De fato esta região e seus vinhos nos remetem à alegrias e bons sentimentos sempre!

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Luciano mendes m. disse há 2863 dias às 09:54h:

Dom Pérignon dizia estou bebendo estrelas, beber champagne é estar em harmonia com a vida.

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Josemar t. disse há 2862 dias às 00:38h:

Luciana, achei masvilhoso seu artigo. Já fiz alguns cursos sobre champangne e em nenhum tive tanta informação preciosa e valiosa como estas do seu texto! Mas uma vez parabéns!

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GILSON PASTORE P. disse há 2860 dias às 19:18h:

APESAR, DE NÃO COMBINAREM, QUERO MORRER BEBENDO CHAMPAGNE E FUMANDO UM COHIBA.

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