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Já degustou sua água hoje?

Publicado em: 19 Maio, 2011 por Vitor N.

Tradicionalmente, a degustação é uma prática que deixamos para os especialistas em vinhos, café ou até mesmo chocolates. Para muitos, degustação é uma arte aprimorada ao longo de anos de experiência lidando com produtos complexos, finos e prestigiosos. É curioso, então, que a moda agora seja degustar água.

Não, você não leu errado. É muito fácil subestimarmos a água, até mesmo porque é uma bebida que acompanha nosso cotidiano e de fácil acesso. Normalmente, é vista como uma necessidade e não algo para saborear. Mas isso está mudando, e restaurantes, hotéis e especialistas de todo o mundo abrem cada vez mais espaço para a degustação da água, como é o caso do hotel Claridge's em Londres, que oferece uma variedade de mais de 30 rótulos de águas do mundo todo, das mais populares até  as mais finas.

A prática tem se tornado mais comum nos últimos anos, mas não é nova. Nos Estados Unidos, o Berkeley Springs Internation Water Tasting é um dos mais famosos eventos de degustação de água do mundo e é promovido anualmente, realizando este ano sua 21ª edição. Rótulos de diversas regiões do globo são avaliados por especialistas neste que é considerado o Oscar das águas.

A questão da conscientização ambiental e preservação dos recursos do planeta está cada vez mais em pauta nas discussões diárias, e a água é geralmente o centro das atenções. Virou moda, então, falar da bebida e as empresas perceberam isso e começaram a investir nela. A crescente quantidade de marcas é um dos principais fatores que contribuem para a popularização da atividade. Mas passamos também a perceber que água não é exatamente igual, como muitos acreditam.

 Assim como na produção do vinho, a região, o solo, as condições do clima, entre outros fatores, afetam a qualidade da água, concedendo-a sabores característicos da região e diferentes composições de sais minerais. Mas é apenas quando degustamos marcas diferentes e prestamos atenção que podemos perceber os detalhes únicos de cada uma no paladar, no olfato, na mineralidade, consistência, etc.

'Oras, mas como se degusta água?', você deve estar perguntando. O processo é rigoroso, pois as particularidades da água são às vezes tão sutis que dificultam a percepção. Copos sem pé permitem um leve aquecimento que auxiliará no desprendimento das moléculas aromáticas, possibilitando uma avaliação olfativa mais fácil. Não é feita a famosa rotação do copo como no caso do vinho, e a preferência é por uma borda fina, que facilite o contato dos lábios com a água e ajude na percepção do paladar.

As harmonizações precisam ser bem pensadas, mesmo com vinhos. Quando feitas corretamente, o vinho e a água alteram-se na boca, determinando sensações que se sobrepõem sem que uma anule a outra. Ao harmonizar vinho e água, a intensidade das sensações é o que realmente importa. Águas mais suaves e equilibradas devem ser acompanhadas de vinhos igualmente suaves, como brancos frescos ou envelhecidos em barris, pois um vinho encorpado e estruturado neutralizaria completamente a natureza da água. O mesmo acontece com águas de maior intensidade na fragrância e salinidade, como a San Pellegrino, que acompanham melhor vinhos tintos novos e vinhos rosés mais estruturados. O segredo é combinar a intensidade das sensações olfativas e gustativas de cada bebida de modo que se complementem.

Muita gente não tem esse costume, mas o consumo recomendado de água é de 2L por dia. Como um incentivo a mais, por que não tornar a coisa mais divertida e começar a experimentar diferentes rótulos para ocasiões diversas e começar a compará-los? Com certeza você notará as sutilezas de cada garrafa. E sabem qual é a melhor parte? Ao contrário da degustação do vinho, você pode dirigir para casa tranquilo depois.

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